Palavra do Pastor › 14/05/2017

5º Domingo da Páscoa

A passagem do Evangelho segundo João, deste 5o Domingo da Páscoa, se situa no contexto da última ceia, véspera da morte de Jesus na cruz. O clima de despedida, com os discípulos inquietos e preocupados, se transforma com as palavras de Jesus. “Não se perturbe o vosso coração”, “vou preparar um lugar para vós”, afirma Jesus, trazendo-lhes serenidade e esperança. No centro desta passagem joanina, está a resposta de Jesus a Tomé: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Não se trata apenas de uma bela afirmação, mas de um anúncio de validade permanente na vida da Igreja. Não é algo teórico, mas profundamente vivencial. Os cristãos de hoje, assim como nos primórdios, são convidados a fazer a experiência desta Palavra de Jesus na vida cotidiana. Hoje, há muita gente buscando o caminho a seguir, a verdade que dá sentido ao seu caminhar e a vida plena. Jesus é a resposta!

Os primeiros cristãos acreditaram na Palavra de Jesus, vivendo-a em comunidade. A comunidade cristã deve ser sinal e anúncio de Jesus, “o Caminho, a Verdade e a Vida”, no seu modo de viver e de se organizar. Por isso, os apóstolos organizaram melhor o serviço da caridade, para atender  os mais pobres, representados pelas viúvas (At 6,1).  O serviço das mesas, a partilha do pão, não estava acontecendo de modo justo, pois faltava a devida atenção às viúvas, que naquela época figuravam entre as pessoas que mais sofriam desamparo e pobreza. Para este serviço, foram escolhidos os primeiros “diáconos”.

Por melhor que uma comunidade cristã possa se organizar, ela jamais poderá ser equiparada a uma simples organização social ou associação. Permanecerá sempre uma comunidade de fé, um “edifício espiritual”, alicerçado em Cristo, a “pedra viva” ou a “pedra angular”, segundo a Primeira Carta de Pedro (1Pd 2,4-6). A imagem da “pedra viva”, aplicada primeiramente a Cristo, a “pedra angular”, refere-se também aos seguidores de Jesus. Nós somos “pedras vivas” do templo espiritual que é a Igreja. Por isso, somos chamados a ser “sacerdócio santo” e “nação santa”. Ao invés de oferecer sacrifícios de animais, como ocorria no templo de Jerusalém, devemos “oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus”, através de uma vida santa. Entretanto, é preciso permanecer firmes na fé, pois a rejeição da “pedra angular”, que é Cristo, pode ser sofrida também pelas “pedras vivas” que são os seus discípulos.

A Igreja, “edifício espiritual”, é chamada a ser mãe misericordiosa e acolhedora, família unida pela fé e pela caridade. Nela, ocupa lugar especial a Mãe de Jesus e nossa mãe, Maria, assim como todas as mães, sinais e instrumentos do amor de Deus no mundo. Deus nos ama com amor de mãe. As mães amam com amor de Deus. A todas as mães, a gratidão e as preces dos seus filhos e de toda a comunidade!

Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

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