Palavra do Pastor › 14/08/2015

Solenidade da Assunção

Para celebrar bem a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, é importante considerar atentamente a Palavra de Deus e o ensinamento da Igreja. Compreendemos esse dogma mariano à luz da ressurreição de Jesus, proclamada, hoje, na Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios. “Cristo Ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1Cor 15,20), afirma o Apóstolo, mencionando, a seguir, aqueles que “pertencem a Cristo”, como Maria, destinados a participar da sua vitória sobre a morte. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “a assunção da Virgem Maria é uma participação singular na ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (n. 966). Por isso, a solenidade que celebramos decorre da nossa fé na ressurreição do Senhor e fortalece a nossa esperança de participar da vitória de Cristo sobre a morte. Além disso, a Assunção de Nossa Senhora está relacionada essencialmente à sua Imaculada Conceição, como afirmou o Papa Pio XII, em 1950, ao proclamar o dogma da Assunção: “A Imaculada Virgem Maria, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”.

Ao celebrar esta solenidade, somos convidados a imitar Nossa Senhora, modelo de oração e de caridade, conforme o Evangelho anunciado (Lc 1,39-56). Na visita a Isabel, o “sim” de Maria, a “serva do Senhor”, se prolonga através da caridade testemunhada pelo seu serviço humilde e generoso. A “serva do Senhor” se faz servidora de Isabel. O Evangelho ressalta a disponibilidade e a generosidade de Maria em servir, ao mencionar que ela se dirigiu “apressadamente” à casa de Isabel e com ela permaneceu “três meses”.

Nos lábios de Isabel, encontramos parte da oração da Ave-Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42). Dos lábios de Maria brota a belíssima oração de louvor conhecida como “Magnificat”, exaltando a misericórdia de Deus, que “se estende de geração em geração”, na sua vida e na vida de “todos os que o respeitam” (Lc 1, 50). Para participar da glória de Cristo é preciso percorrer o caminho da doação generosa e do serviço humilde aos irmãos, especialmente aos mais sofredores, sempre sustentados pelo amor misericordioso de Deus.

Neste domingo do Mês Vocacional, concluímos a Semana da Família, rezando por cada família, e nos recordamos, especialmente, da vocação à vida consagrada. Aos irmãos e irmãs na vida consagrada, a nossa profunda gratidão e as nossas preces, para que a exemplo de Maria Assunta ao céu, sejam servidores fiéis e testemunhas da alegria do Evangelho.

+ Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília