Palavra do Pastor › 28/06/2016

XV Domingo do Tempo comum

Quem é o meu próximo?

“Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” (Lc 10,25). A resposta a esta pergunta é dada por Jesus em dois momentos. O primeiro, após recordar o mandamento do amor a Deus e ao próximo, ele diz: “Faze isso e viverás” (Lc 10,28). Contudo, naquele tempo, os mestres da Lei discutiam a respeito de quem seria precisamente “o próximo”, com diferentes posições. A tendência predominante era excluir da definição de “próximo” os inimigos e os que não faziam parte do povo de Israel. Por isso, num segundo momento, Jesus conta a “parábola do bom samaritano” transmitindo uma compreensão justa de quem é o próximo e de como tratá-lo.  No final, ele conclui a sua resposta dizendo: “Vai e faze a mesma coisa” (Lc 10,37), isto é, Jesus nos ensina a ter “compaixão” e “usar de misericórdia” para com o próximo. De acordo com a parábola, o próximo é, acima de tudo, quem necessita de nós, por estar caído no caminho, ferido e abandonado, seja amigo ou não, seja conhecido ou não, seja da mesma raça ou não. A estrada, de cerca de 30 km, entre Jerusalém e Jericó era perigosa, com bandos armados ameaçando os viajantes, o que dificultava receber ajuda em casos de extrema violência, como descrito na parábola. Além disso, havia grande dificuldade de relacionamento entre os judeus e os samaritanos. Pelo que se pode deduzir da parábola, o homem ferido e quase morto era um judeu. Por isso, o gesto misericordioso do samaritano torna-se ainda mais louvável. Ele reconheceu o outro necessitado como o próximo a ser amado, independente de sua condição social, cultural ou religiosa.

É preciso aproximar-se de quem sofre com compaixão e misericórdia, a fim de cuidar dos feridos e de levantar os caídos. Os braços misericordiosos de Cristo abraçam e erguem os caídos através dos braços de quem se faz próximo dos que mais sofrem. Há muita gente sofrida e caída pelo caminho à espera de um bom samaritano que a levante, anime e conduza. Esta é a atitude dos verdadeiros discípulos de Cristo e praticantes da Palavra de Deus: usar de misericórdia, gastar nosso tempo, nossas energias e nossos bens com quem necessita do nosso amor fraterno e solidário.

Entretanto, além do testemunho pessoal, é preciso também o testemunho comunitário das obras de misericórdia. A comunidade cristã deve praticar a caridade de modo organizado, transformando-se, assim, numa comunidade samaritana, conforme o ensinamento de Jesus. Aproveitemos este Ano Santo para assumir a condição do bom samaritano, no mundo de hoje, praticando as obras de misericórdia através de iniciativas pessoais, mas também em família e enquanto comunidade paroquial.

Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília