Artigos › 04/11/2016

Os felizes

Muitos jogam pesado na felicidade buscada a todo o custo no que é material e prazeroso imediatamente. Há os que buscam ideal mais elevado na vida, sabendo procurar a felicidade na realização de um projeto de vida realizador com a busca de valores maiores. Superam a ostentação, o acúmulo de dinheiro, de títulos, de vantagens sociais e bem estar no uso insaciável de prazeres baseados na satisfação dos instintos de modo antiético e imoral. Sabem abster-se do que é relativo e efêmero para conquistarem dignidade, baseada no caráter que as conduzam a conviver com o ideal de servir o semelhante e a sociedade com os talentos e oportunidades. Trabalham para a promoção do bem comum, da inclusão social e da cidadania, às vezes às custas de sacrifícios, renúncias e doação de si. São pessoas felizes e santas, porque seguem um caminho, embora mais estreito, mas que as levam a realizar o projeto divino em sua vida. Afinal, para que serve a vida e o que fazemos dela?

Quem pensa que a vida é para gozar dela, usando de tudo e de todos os meios, lícitos e ilícitos, moral e humanamente apresentados, podem cair na irrealização de uma vida sem sentido. Esta é passageira. É certo que na terra procuramos ser felizes. E isso é importante. Mas, de fato, a desenvolvemos com esse intuito, quando sabemos usá-la para a prática do bem ética e moralmente falando e vivenciando. O que é só material e de agrado instintivo nos faz viver com o gosto da saciedade sem a perspectiva de um resultado que compense não só os instintos, mas também o ideal de felicidade por buscarmos um bem maior.

As bem-aventuranças apresentadas por Jesus foram, são e serão vividas por pessoas santas, que têm um ideal com o gosto de um amor verdadeiramente realizado, dando sentido pleno à existência. Esse ideal nos leva até a darmos a vida por causas justas e de ajuda à promoção de vida de sentido e realizador ao semelhante, segundo o exemplo e ensinamento do Divino Mestre (Cf. Mateus 5,1-12).

Infelizes são os que colocam a finalidade de vida no que é transitório e não o podem levar para a vida eterna. Felizes são, ao contrário, os que tudo fazem para levar consigo o resultado das ações que dão base a que levemos seus frutos à vida eterna. Aliás, esses frutos já são saboreados desde já pela alegria de vermos o bem que fazemos com verdadeiro amor ao semelhante.

Exemplos sobejos de santos e santos temos na história do passado, do presente e teremos no futuro, por quem não poupa o esforço, o sacrifício de si, as renúncias e o entusiasmo para promoverem ações e causas de benefício a todos. Nossa religiosidade deve ser instrumento de ajuda e estímulo para isso. Mas precisa ser atuante e transformadora da sociedade. Torna-se fé operante, com o cunho vertical de amor e relacionamento com Deus, mas também com amor e relacionamento de promoção de vida de sentido ao semelhante. Deus vai nos julgar pelo bem que realizamos à comunidade, usando os talentos por Ele doados para isso. Aí vivemos a prática da santidade!

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo de Montes Claros (MG)