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A genialidade de Joaquim Cardozo na estrutura da Catedral

Celebrada como obra-prima de Oscar Niemeyer, a Catedral Metropolitana de Brasília também passou pela genialidade de outros profissionais, que igualmente dedicaram seus conhecimentos para dar forma aos traços do arquiteto que projetou a Capital Federal. O trabalho do engenheiro Joaquim Cardozo é um exemplo. Seus cálculos e soluções foram fundamentais para erguer esse ícone de Brasília. 

Profissional que trabalhava com Niemeyer desde a década de 1940, na época da Construção da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), Joaquim Cardozo buscou as soluções construtivas que deram forma à Catedral e foi o responsável pelos cálculos estruturais. Ele também esteve ao lado do arquiteto na construção de outros monumentos da cidade, marcados pelas soluções inovadoras, como o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Itamaraty.

Nascido no Recife, em 1897, Joaquim Maria Moreira Cardozo também era poeta, cujos escritos foram exaltados por outros autores, como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Também atuou como contista, dramaturgo, professor universitário, tradutor, editor de revistas de arte e arquitetura, desenhista, ilustrador, caricaturista e crítico de arte. Era poliglota, conhecedor de cerca de quinze idiomas. Niemeyer falava dele como o “brasileiro mais culto que existia”. 

“Na arquitetura de Niemeyer, amparada no talento inventivo de Joaquim Cardozo, o arquiteto pode explorar sua criatividade e criar formas puras, livres, onde a estrutura já exibe a arquitetura, sem a necessidade e os excessos, sendo que a beleza surge do equilíbrio a estrutural da forma”
– Engenheiro André Luiz Silva Santos
Trabalho de Conclusão de Curso no Instituto Federal de Goiás, com estudo sobre a construção da Catedral de Brasília. 

Marco na construção civil

A obra da Catedral, cuja estrutura foi em concreto, representava naquele momento, ao final dos anos 1950, um desafio aos conceitos vigentes até então. A execução, assim, é considerada um marco em tecnologia construtiva para a época.

Sobre isso, o arquiteto Carlos Magalhães, responsável técnico da obra e então funcionário da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), partilhou depoimento em 2002 ao pesquisador Diogo Pessoa. Para ele, as formas de concreto e o respectivo escoramento metálico utilizados eram verdadeiras “obras de arte” e “testemunhas da ousadia e competência dos profissionais brasileiros de Engenharia e Arquitetura”. A descrição das soluções buscadas por Joaquim Cardozo foram descritas por Magalhães e detalhadas na dissertação de mestrado em estruturas e construção civil de Diogo Pessoa pela Universidade de Brasília no ano de 2002.

Confira algumas soluções de Joaquim Cardozo que se destacam na estrutura da Catedral:  

  • O número de colunas propostos por Niemeyer inicialmente era de 21, com 40 metros de altura. Posteriormente, por razões estéticas, ficou definido o número de 16 colunas e 30 metros de altura. 
  • A estabilidade da estrutura da Catedral é garantida por dois anéis de concreto: um de tração e outro de compressão.
    • O inferior, de tração, tem 70m de diâmetro, apoiado no chão e servindo de alicerce. Ele absorve os esforços de tração, funcionando como um tirante, reduzindo a carga das fundações. Esse elemento é composto de quatro anéis, unidos por vigas laterais, formando uma grelha.
    • Já o anel superior tem 60 metros de diâmetro e está a 10 metros do topo da Catedral, absorvendo os esforços de compressão. Ele passa por dentro dos pilares sendo imperceptível aos olhos do observador. 
  • Entre o anel de concreto inferior, que é responsável pela tração, e os pilares da base da Catedral, há um material especial chamado neoprene que recebe a estrutura do anel e as colunas como se estivessem pousadas acima da estrutura dos pilares. Essa camada de neoprene garante que a base suporte as variações de temperatura e o próprio peso sem sofrer danos estruturais.
  • Durante a construção da Catedral, foram desenhados os modelos das colunas em tamanho real no canteiro de obras e, a partir daí, foi possível montar aproximadamente 20 cortes transversais a fim de que fosse possível transferir para o concreto a forma projetada pelo arquiteto.

Veja também: 

Artigos e trabalhos acadêmicos:

A estrutura da Catedral – Diogo Pessoa

A INFLUÊNCIA DO PROJETO ARQUITETÔNICO NO DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS: CASO DA CATEDRAL DE BRASÍLIA – André Luiz Silva Santos

CATEDRAL DE BRASÍLIA: HISTÓRICO DE PROJETO/EXECUÇÃO E ANÁLISE DA ESTRUTURA – Diogo Fagundes Pessoa e João Carlos Teatini de S. Clímaco

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