Cardeal chegou à capital ainda seminarista e foi o primeiro seminarista da Arquidiocese de Brasília. Quatro décadas depois de sua ordenação episcopal, celebra a data na Igreja onde iniciou sua caminhada
A história de Dom Raymundo Damasceno Assis se mistura com a própria história da Igreja em Brasília. Ainda seminarista, ele chegou à nova capital quando a Arquidiocese dava seus primeiros passos. Foi o primeiro seminarista de Brasília e acompanhou de perto os primeiros anos da evangelização no Distrito Federal.
Foi justamente em Brasília que, na noite desta terça-feira, 15, o cardeal celebrou os 40 anos de sua ordenação episcopal. A Missa de Ação de Graças foi realizada na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, reunindo sacerdotes, familiares, amigos e fiéis em torno da data que recorda quatro décadas de seu ministério como bispo.
Dom Raymundo chegou a Brasília ainda jovem, em 1960, vindo de Minas Gerais. Naquele período, a capital ainda estava começando e não havia seminário nem padres diocesanos. Em um relato feito durante o Congresso Eucarístico Nacional de 2010, o próprio cardeal recordou que chegou ao Distrito Federal depois de concluir o terceiro ano de Filosofia e que recebeu a missão de seguir para a nova Arquidiocese.
A formação continuou em Roma, onde estudou Teologia, e depois na Alemanha, na área de Catequese. Ordenado sacerdote em 19 de março de 1968, voltou para Brasília e passou a atuar na Arquidiocese. Foi coordenador de Catequese, pároco da Igreja do Santíssimo Sacramento e chanceler da Arquidiocese, entre outras funções.
Também esteve entre os responsáveis pela formação do clero da capital. Em 1976, participou da implantação do Seminário Maior de Brasília, onde atuou como formador e professor. A iniciativa deu continuidade a um dos grandes desejos de Dom José Newton de Almeida Baptista, primeiro arcebispo de Brasília: formar sacerdotes para a Igreja que crescia junto com a nova capital.
Caminhada ao episcopado
Em 1986, Dom Raymundo foi nomeado bispo auxiliar de Brasília pelo Papa São João Paulo II. A ordenação episcopal aconteceu em 15 de setembro daquele ano, exatamente há 40 anos.
Durante 18 anos, permaneceu como bispo auxiliar da Arquidiocese, colaborando diretamente com a vida pastoral da Igreja local. Seu lema episcopal, “Na alegria do Senhor”, acompanhou desde então as diferentes missões que recebeu.
Em 2004, foi nomeado arcebispo de Aparecida, onde permaneceu até 2016. À frente da Arquidiocese da Padroeira do Brasil, manteve uma relação próxima com os romeiros e esteve à frente de importantes iniciativas no Santuário Nacional. Também levou a devoção a Nossa Senhora Aparecida para diferentes lugares do mundo.
A atuação de Dom Raymundo também ganhou dimensão nacional e latino-americana. Na CNBB, foi secretário-geral por dois mandatos, entre 1995 e 2003, e presidente de 2011 a 2015. Também exerceu funções no Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e participou de atividades e organismos da Santa Sé.
Criado cardeal pelo Papa Bento XVI em 2010, participou do Conclave de 2013, que elegeu o Papa Francisco, e do Conclave de 2025, que elegeu o Papa Leão XIV.
O amor por Brasília
Depois de deixar a Arquidiocese de Aparecida, Dom Raymundo retornou a Brasília. A escolha tem um significado particular para quem chegou à capital ainda seminarista e aqui viveu grande parte de sua vida.
Em uma mensagem escrita por ocasião de sua saída de Aparecida, o cardeal recordou os anos vividos na capital: “Em Brasília, por quatro décadas, procurei ser um servidor da Igreja”.
É também essa história que a comunidade da Catedral celebrou nesta terça-feira. Na Igreja-Mãe da Arquidiocese de Brasília, onde sua caminhada episcopal começou, Dom Raymundo reuniu-se com a comunidade para agradecer a Deus pelos 40 anos de episcopado e por uma vida dedicada ao serviço da Igreja.
Ao celebrar a data em Brasília, o cardeal volta, de certa forma, ao lugar onde tudo começou. A cidade que encontrou ainda em construção e a Igreja que ajudou a construir desde os seus primeiros anos.









Fotos: ASCOM/Arquidiocese de Brasília