Após anos afastado da Igreja Católica, Gleidson Guilherme iniciou uma caminhada de preparação para o Matrimônio que o levou a estudar a fé, redescobrir sua relação com Deus e realizar sua profissão de fé na Catedral
Há caminhos que Deus traça de maneira silenciosa, utilizando acontecimentos e pessoas para conduzir seus filhos de volta para perto Dele. A história de Gleidson Guilherme é um desses testemunhos.
Na infância, Gleidson já tinha contato com a fé católica e frequentava, principalmente, as missas na Paróquia São Pedro, no P. Sul. Na adolescência, porém, após um convite da tia para participar de um acampamento, passou a frequentar a Igreja Batista Ebenézer, onde cresceu na fé.
Com o passar dos anos, já adulto, acabou se distanciando da vida religiosa. As escolhas e experiências daquela fase o levaram para longe da Igreja, embora a fé em Deus nunca tivesse deixado completamente o seu coração.
Foi por meio de uma nova etapa de sua vida que esse caminho começou a ser reconstruído.
Um pedido feito em oração
Antes mesmo de conhecer a esposa, Gleidson conta que fez a Deus um pedido: que colocasse em sua vida uma mulher que pudesse ajudá-lo a se aproximar novamente do Senhor.
O que ele não imaginava era que justamente as diferenças religiosas dentro do relacionamento seriam utilizadas por Deus para despertar nele uma nova busca.
Com o desejo da futura esposa de celebrar o casamento na Igreja Católica, Gleidson se viu diante de uma decisão. Poderia optar por um casamento misto, respeitando a tradição religiosa de cada um, mas decidiu viver o sacramento do Matrimônio por completo.
A escolha deu início a uma caminhada que iria muito além da preparação para o casamento.
“Pedi a Deus em uma oração uma mulher que me aproximasse de Deus, e acabou que as nossas diferenças de credo me aproximaram Dele, pois comecei a estudar e entender mais”, conta.
Quando o casamento se tornou caminho de fé
Para poder celebrar o Matrimônio na Igreja Católica, Gleidson iniciou o curso de noivos e foi orientado a fazer a catequese. O processo de preparação para o sacramento abriu espaço para perguntas, estudos e uma busca mais profunda pela compreensão da fé católica.
Foi justamente nesse processo de buscar respostas que ele percebeu que estava, também, se reaproximando de Deus.
“Foi justamente por não saber responder algumas questões e, através da busca por mais entendimento, que me reaproximei de Deus”, explica.
A caminhada também o fez olhar para os anos em que esteve afastado.
“Me afastei após a adolescência, por conta de escolhas divergentes da Igreja, festas, namoros… apesar de nunca ter abandonado a fé”, recorda.
A decisão de receber o sacramento do Matrimônio de forma completa também esteve ligada à sua compreensão sobre a Eucaristia. Para Gleidson, havia uma questão que não poderia ser ignorada.
“Se a Eucaristia for o corpo de Cristo, eu não poderia correr o risco de perder a bênção de algo que está ao meu alcance. Então decidi fazer o sacramento completo”, relata.
A partir dali, o que havia começado como uma decisão relacionada ao casamento foi se transformando em uma experiência de reencontro com a fé e de descoberta da Igreja.
Uma profissão de fé diante do altar
Durante a preparação, Gleidson descobriu que sua entrada na Igreja Católica aconteceria de uma maneira diferente da que imaginava.
Por ter sido batizado anteriormente em outra denominação cristã, não seria necessário receber novamente o Batismo. O caminho seria a profissão de fé, com o devido registro no livro suplementar destinado aos novos convertidos vindos de outras tradições religiosas.
A descoberta foi uma surpresa.
“Eu acreditava que faria um batismo tradicional, mas, no meu caso, o registro deveria ser feito no supplementorium, um livro suplementar de registro de novos convertidos vindos de outra religião”, conta.
Foi então que chegou um dos momentos mais marcantes de sua caminhada: a profissão de fé na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida.
Diante do altar, Gleidson professou publicamente a fé que havia escolhido abraçar. Para ele, não se tratava apenas de uma formalidade, mas de um momento de grande responsabilidade diante de Deus.
“Foi realmente algo emocionante, e que me exigiu fazer uma profissão de fé no altar, que me fez sentir uma grande responsabilidade sobre o meu ato”, afirma.
Após a celebração, também experimentou o acolhimento da comunidade.
“Fui bem recebido pelos irmãos após a profissão. Foi bem bacana”, recorda.












Recomeçar também é corrigir a rota
O retorno à Igreja trouxe consigo um olhar diferente para a própria vida. Gleidson conta que passou a se sentir mais alinhado aos propósitos de Deus e destaca especialmente a experiência da Confissão como um momento de revisão e mudança.
“Foi um momento importante de rever atitudes e corrigir a rota”, afirma.
Para ele, estar novamente próximo de Deus significa também encontrar um sentido maior para a própria caminhada.
A experiência vivida por Gleidson mostra que o retorno à fé nem sempre acontece de maneira imediata. Às vezes, ele começa com uma pergunta, uma inquietação ou até mesmo uma circunstância da vida que parece comum. No seu caso, começou com o desejo de viver plenamente o sacramento do Matrimônio.
A partir desse desejo, vieram a catequese, o estudo, as perguntas, a busca por respostas e, finalmente, a profissão pública da fé.
“Não perder tempo e buscar a Deus”
Hoje, ao olhar para sua trajetória, Gleidson acredita que estar próximo de Deus faz toda a diferença.
Ele destaca a Igreja como um espaço de acolhimento, comunhão e fortalecimento da fé, onde é possível encontrar pessoas que ajudam umas às outras na caminhada cristã.
“É um ambiente acolhedor, que proporciona conhecer pessoas que te fortalecem na fé e viver experiências fora do comum. É sempre melhor estar perto de Deus, para se sentir com propósito, não à deriva na vida.”
Por isso, quando perguntado sobre o que diria a alguém que está afastado da Igreja, mas sente no coração o desejo de retornar, sua resposta é simples e direta:
“Eu diria pra não perder tempo e buscar a Deus o quanto antes.”
A história de Gleidson é, assim, um testemunho de que Deus continua chamando. Mesmo depois de anos de distância, o Senhor pode se utilizar de diferentes caminhos para reacender no coração o desejo de buscá-Lo.
O que começou com o sonho de celebrar um casamento na Igreja tornou-se, para Gleidson, uma oportunidade de reencontro com Deus, de aprofundamento da fé e de um novo começo na vida cristã.
E, diante desse novo caminho, permanece o convite que ele próprio deixa: não perder tempo para buscar a Deus.