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Intervenções durante a história refletem zelo pela Catedral de Brasília

O cuidado com a construção, a manutenção e a conservação da Catedral Metropolitana de Brasília sempre esteve entre as principais preocupações dos párocos da Igreja-Mãe da Capital Federal. Desde 1960, antes mesmo da inauguração do templo, a atuação dos padres responsáveis é marcada pelo zelo com a estrutura e o bom funcionamento do local. Para isso, foram várias intervenções realizadas nos 55 anos de história.

 

Obras de conclusão

Em 1977, monsenhor Luiz Ferreira Lima sucedeu ao monsenhor Geraldo do Espírito Santo Ávila, nomeado bispo auxiliar de Brasília, e continuou as obras já previstas pelo antecessor, como a conclusão do Batistério, da Sacristia, da Secretaria e do Campanário, com os sinos doados pela comunidade espanhola residente no Brasil e o governo da Espanha. No período, também foi feita a primeira limpeza dos vidros da Catedral, a troca dos pequenos e poucos bancos de mármore por cadeiras e a instalação de serviço de som para as celebrações.

 

Primeiros consertos

Monsenhor Czeslaw Rostkowski, quando assumiu a catedral em 1984, procedeu com a avaliação das necessidades de consertos e complementações na construção. Na época, havia problemas no campanário e os sinos estavam sem funcionar. O relatório diagnóstico preparado por engenheiros apontou ainda corrosão, ferrugem, infiltrações, rachaduras no piso e outras avarias no templo. 

As principais intervenções na época foram a instalação de lâmpadas especiais vindas da Bélgica para a iluminação em volta da nave central; iluminação pública externa; pintura das colunas, do Campanário e do Batistério; construção de calçadas, estacionamento e a instalação dos vitrais de Marianne Peretti, entre 1987 e 1989. As ações foram realizadas com apoio do Governo do Distrito Federal, que reuniu órgãos públicos, comércio e indústria na Comissão Pró-Construção da Catedral, instituída para realizar as obras no templo. 

 

Apoios para manutenções

Em 1999, o padre Marcony Vinícius Ferreira e a arquidiocese de Brasília conseguiram apoios para a restauração da Catedral, que precisava resolver problemas com os vidros e vitrais, os quais apresentavam avarias por conta do clima. Também havia necessidade de reforma nos banheiros; a complementação da sacristia; a impermeabilização do espelho d’água e a troca do sistema de iluminação.

Em 2000, a Fundação Banco do Brasil financiou as intervenções. A Terracap, empresa pública do Distrito Federal, providenciou as plantas originais para orientar os trabalhos, acompanhados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e por um representante de Oscar Niemeyer. 

Nessa intervenção, foi feita a retirada e recolocação dos vidros externos, corrigindo as goteiras, ajustes nas redes hidráulicas e elétrica; limpeza dos mármores, instalação de motores para insuflar ar no interior do templo; nova impermeabilização do espelho d’água; renovação da iluminação interna e externa; melhoria no serviço de som; conserto do sistema eletrônico dos sinos; impermeabilização da sacristia; pintura e limpeza.  

 

Troca dos vidros e vitrais

A última grande intervenção ocorreu entre 2009 e 2012, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura e acompanhamento técnico do bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Os vidros que estavam instalados deram lugar a peças especiais, com película de controle solar. Já os vitrais, antes fabricados de forma artesanal e que não suportavam a variação de calor com risco iminente de estilhaço, foram todos trocados por vidros fabricados pela empresa alemã Lamberti, que reproduziu as cores originais num vidro temperado, que suporta a variação de temperatura e o calor do Cerrado. 

O processo de restauro também contemplou a instalação de novo sistema de acionamento eletromagnético dos sinos; o polimento de todo o mármore de carrara; a pintura interna e externa; a restauração das obras de arte da nave, a higienização das três esculturas dos anjos e a substituição dos cabos de aço que as sustentam e a modernização do seu sistema de fixação.

 

Rumo aos 60 anos

Na preparação para a marca dos 60 anos da Catedral, o padre Agenor Vieira, atual pároco da Catedral, conseguiu apoio para as primeiras intervenções e leva adiante um grande projeto de restauro. Em 2024, com ajuda do Escritório Econômico e Cultura de Taiwan no Brasil, foi possível restaurar os sinos, instalar novo sistema eletrônico de acionamento remoto e reativar o toque depois de seis anos. Outro serviço realizado foi a manutenção nos vidros externos, com melhorias nas juntas de vedação do sistema de pele de vidro da área externa, para evitar infiltrações no período chuvoso, além da troca de alguns módulos de vidro que estavam danificados e limpeza.

Em abril de 2025, foi iniciado o projeto de restauro apoiado pelo Instituto Cultural Vale e gerido pelo Instituto Base, novamente por meio da Lei de Incentivo à Cultura e com acompanhamento do Iphan. Serão três etapas que preveem a impermeabilização do espelho d’água, ajustes na rede elétrica, no sistema de refrigeração, na iluminação, entre outras melhorias. Tudo isso será detalhado em projetos desenvolvidos por diversos profissionais da engenharia e da arquitetura envolvidos nos trabalhos.

Esse restauro será compartilhado passo-a-passo no site da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. 

 

Com informações do livro “A Catedral da Capital da Esperança”, de Odette Pessôa Maciel. Brasília, 2020.

 

 

 

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