Eleita a maravilha número um de Brasília, a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida é um patrimônio vivo no coração da capital, marcada pela intensa atividade religiosa e pela grande visitação turística. Conciliar esses usos e garantir a preservação da obra de Oscar Niemeyer para as próximas gerações motivou o desenvolvimento do projeto “Catedral rumo aos 60 anos”, cuja primeira fase foi concluída em dezembro.
Com horizonte em 2030, quando o templo completará 60 anos de inauguração, o projeto busca tornar a Catedral um exemplo de preservação do patrimônio cultural aliada ao uso contemporâneo. Entre seus objetivos estão a elaboração de um plano diretor, a proposição de soluções para facilitar a conservação e futuros restauros, o fortalecimento da sustentabilidade financeira e a criação de infraestrutura adequada às atividades religiosas, culturais e turísticas.
Na sexta-feira, 12 de dezembro, foram apresentados ao arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, os projetos de arquitetura, engenharia e complementares que tratam do restauro e da modernização da Catedral. De acordo com o Instituto Base, proponente da iniciativa junto ao Ministério da Cultura, as propostas consideram de forma integrada as diferentes dimensões do monumento.
“Com o projeto, buscamos atender a Catedral em suas várias dimensões: como igreja, patrimônio cultural, ícone da arquitetura moderna e patrimônio afetivo do povo do Distrito Federal”, explica Sylvio Farias, coordenador geral do projeto.
O pároco da Catedral, padre Agenor Vieira, destaca a atuação conjunta de diferentes instituições para garantir a preservação do templo como legado para as futuras gerações. “Em parceria, unidos, nosso objetivo é garantir para as gerações futuras essa Catedral linda. O Projeto Catedral 60 anos é continuar sonhando e desejo que esse sonho se concretize no nosso tempo e em nossa época“, afirmou.
O que será realizado
São várias ações previstas e já com projetos elaborados e prontos para serem submetidos aos órgãos responsáveis pelo patrimônio cultural, como o Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Entre elas, o restauro do prédio e de seus elementos artísticos, já desgastados pelo uso e pela ação do tempo; a modernização dos sistemas elétrico, hidráulico e sonoro; e a melhoria da infraestrutura para atender serviços administrativos, atividades religiosas e visitantes e turistas.
Os projetos elaborados preveem limpeza, substituição de peças danificadas, recomposição de revestimentos, tratamento de fissuras e microfissuras, recuperação de superfícies, restauração de elementos artísticos, dentre outros.
Alguns destaques:
- Elétrica: reorganização e redistribuição de quadros elétricos, ampliação e padronização dos pontos de tomada e iluminação;
- Iluminação: um sistema de luminotécnica com renovação completa dos sistemas de iluminação e a substituição por equipamentos de alta eficiência, garantindo economia e cuidado com o meio ambiente.
- Refrigeração: retrofit dos resfriadores atuais, com substituição de peças e instalação de novos painéis. A atualização permitirá reduzir o ruído e o consumo de energia.
- Impermeabilização do espelho d’água, do batistério e da cúpula da Catedral;
- Adequação na acessibilidade com instalação de piso tátil e corrimãos;
- Circuito interno de segurança com instalação de 68 câmeras;
- Aumento da cobertura de rede wi-fi;
- Drenagem: sistema complementar ao existente para condução das águas pluviais;
- Nova comunicação visual com sinalização de portas e corredores e identificação das obras.
- Proteção: instalação de sistema de pára-raios e a criação de um plano de prevenção e proteção contra incêndio.
Etapas
O projeto é estruturado em três etapas, com conclusão prevista para 2030. A primeira compreendeu a elaboração dos projetos técnicos e foi viabilizada por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Vale S.A., que aportou R$ 3 milhões. Para as próximas fases, que envolvem a execução das obras e a criação de um Centro de Memória, o Instituto Base e a Catedral de Brasília buscarão novos patrocinadores.