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26º Domingo do Tempo Comum – 30/09/2018 Jesus Ensina Seus Discípulos

O texto de Marcos, hoje proclamado, nos apresenta três ensinamentos de Jesus, com várias exigências para a vida dos seus discípulos. O episódio relatado se passa em Cafarnaum (cf. Mc 9,33), com Jesus rodeado dos discípulos, prestes a iniciar a sua grande viagem para Jerusalém, onde sofrerá a Paixão.

O principal tema abordado, pois aparece também na primeira leitura, está logo no início da passagem proclamada: como comportar-se diante de quem faz o bem, mas não está no grupo dos discípulos? A expressão “ele não nos segue” (Mc 9,38), descrevendo a reação de João, poderia também ser traduzida por “ele não é dos nossos”. João denota ciúmes e fechamento, ao querer impedir a boa ação de quem não pertencia ao grupo dos discípulos. Na perspectiva de Jesus, quem faz o bem em favor das pessoas, está do seu lado. O verdadeiro discípulo não tem inveja do bem que os outros possam fazer, nem demonstra ciúmes diante da ação de Deus através das diferentes pessoas. O sectarismo, a intolerância e ciúmes não condizem com a comunidade dos discípulos. Este episódio narrado por Marcos faz recordar o que ocorreu nos tempos de Moisés, conforme o Livro dos Números (Nm 11,25-29).  Josué não aceitava que pudessem profetizar aqueles que estavam foram do acampamento. Ao contrário da postura de Josué, Moisés reconhece que o Espírito de Deus sopra onde quer. Por isso, é preciso abertura para reconhecer a presença de Deus onde quer que ele se manifeste e valorizar o bem que os outros fazem.

O segundo ensinamento de Jesus adverte a não escandalizar os “pequeninos”. A expressão se refere aos membros da comunidade em situação de fragilidade, inclusive na fé. Como são tratados? O “escândalo” significa a pedra ou obstáculo que se coloca no caminho, impedindo ou dificultando o seguimento de Cristo. Por fim, o terceiro ensinamento de Jesus faz pensar sobre o que é preciso cortar da própria vida para segui-lo com seriedade. É preciso arrancar da própria vida os sentimentos e atitudes que não são compatíveis com o Evangelho. Quem não fizer assim, ao invés da vida e da salvação, encontrará a condenação e a morte eterna.

Na segunda leitura, continuamos a meditar a Carta de São Tiago que faz uma dura condenação dos que acumulam riquezas, explorando os pobres, praticando a injustiça e vivendo luxuosamente (Tg 5,4-6). Ela mostra as consequências tristes para quem coloca a confiança nos bens materiais, que enferrujam e apodrecem.

Neste dia da Bíblia, vamos assumir o compromisso de continuar a ler, a meditar e a acolher a Palavra de Deus, em nossa vida cotidiana, numa atitude de escuta atenta e de cumprimento fiel, pois ela é “Palavra da Salvação”!

 

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

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