3º Domingo do Advento – 13.12.2020

A PALAVRA DO PASTOR

+ Dom Paulo Cezar Costa

 

João Batista, Profeta do Advento

 

A Palavra de Deus, no Evangelho de hoje, continua a falar da figura de João Batista. Ele, como profeta da espera, encarna em si o espírito do Advento. Hoje, João Batista, dando testemunho de si, afirma: “Eu sou a voz que clama no deserto; endireitai os caminhos do Senhor” (Jo 1, 23).

Em todas as culturas o deserto assumiu a idéia de lugar do vagar humano sem rumo, lugar de isolamento e de perda das condições de vida, mas os desertos são também aqueles criados pela nossa civilização, que habitam nossas cidades e casas. O deserto recorda a Israel e a cada um de nós, a situação de precariedade da existência humana, de fragilidade dos projetos e construções históricas. Ele é um convite àquilo que verdadeiramente faz viver a pessoa humana, porque conduz ao essencial, àquela pergunta de sentido que fazemos do início ao fim da existência. Para quem deseja uma vida cheia de significados, buscando uma resposta às interrogações profundas, a boa notícia do Evangelho é a voz: “Eu sou a voz que clama no deserto; endireitai os caminhos do Senhor” (Jo 1, 23).

Parece paradoxal que a resposta à busca do homem seja a voz. A voz nos remete aos profetas, como João Batista, mas conduz antes de tudo à Aliança que une Deus e o seu povo no monte Horeb, quando Israel vem reconhecido como Povo de Deus: “do céu, Ele fez com que ouvisses a sua voz, para te instruir…” (Dt 4, 36). Aos que vivem no deserto, que buscam a Deus, Ele não deixa faltar a sua voz. Tanto na Judeia, como também no deserto de cada povo, de cada cidade, de cada pessoa, ressoa a voz divina que grita, chama, consola, coloca a caminho: Jesus Cristo. Ele é a voz de Deus que entra na história do mundo e que ressoa em meio às desolações humanas.

Mas Israel é o povo da escuta (Sl 95). A voz clama por escuta, como se percebe sempre na Bíblia. A escuta vem expressa pelo verbo (shama`), que diz ao mesmo tempo escuta e obediência. É uma escuta empenhativa, e é próprio a este empenho que se dirige o pedido: “Endireitai o caminho do Senhor…” (Jo 1, 23). A mesma ideia de João Batista como aquele que prepara o caminho do Senhor está presente no Benedictus: “Tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás à frente do Senhor para preparar-lhe os caminhos” (Lc 1, 76). Jesus, falando de João Batista, o relembra com este texto de Malaquias: “Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente, ele preparará o teu caminho diante de ti” (Lc 7, 27). Sabemos que no tempo de Jesus, os essênios tinham ido habitar no deserto para preparar-lhe a estrada. Jesus não pertencia aos essênios. Para Ele a estrada do Senhor se abre e se prepara no meio dos homens: no meio dos seus afazeres, tragédias, doenças, hipocrisia e pecados…

João não é o Messias, ele reconhece que o Messias é maior do que ele. O Messias vem depois, com mais autoridade e direito. Ele não é digno nem de desamarrar as suas sandálias. O profeta tem consciência clara de que o seu caminho é aquele de preparar e de apontar para o Messias.

Como João Batista, ajudemos as pessoas no deserto da vida, entre pandemia e isolamento, a se encontrarem com Jesus, vivendo um tempo para apostas de confiança Naquele que é o Senhor da Vida. Juntos preparemos o Caminho do Senhor.

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